Arquitetura pela Janela

Na etmilogia de Janela, a palavra está relacionada ao Deus romano Jano, a divindade das entradas e saídas. É por ela que projetamos a entrada de sol e ventilação na edificação, essencial. Porém, suas funções vão muito além. Dalí se avista a rua, se fofoca, se namora e, nesse ponto, é tão verdade, que uma das peças de artesanato mais tradicionais brasileiras são bustos de mulheres com a mão no queixo, feitas propositalmente para serem colocadas nas janelas como se fossem pessoas reais a espiar. O nome delas?Namoradeiras.


Se antes a maioria eram feitas em madeira, hoje temos diversos materiais. Seja por estética ou pelos valores, as peças padronizadas de alumínio dominam as construções populares, mas nas cidades e centros históricos ainda podemos desfrutar da singularidade e detalhes tão dedicados das janelas das casas e prédios antigos.

Passando por Diamantina, local de onde foram tiradas as fotos do post, percebemos essa diversidade e, falando escificamente de um tipo de Janela e uma das suas mais ilustres moradoras, vale contar uma curiosidade.
Uma tipologia muito comum no Brasil colonial eram as janelas com treliças em madeira. Essa "artimanha" arquitetônica, chamada Muxarabi e de origem árabe, além de ser charmosa, permitia "ver sem ser visto", prevenindo chegadas inesperadas e favorecendo a fofoca, claro.
Na casa onde residia Xica da Silva, o uso do Muxarabi extrapolava as janelas e cobria toda uma fachada. Dizia-se para poder ver a vida dos outros de dentro de casa, mas com certeza a segurança também era um fator muito importante.

Eram muito comuns no Rio de Janeiro pré chegada da Família Real, em 1808 e assim que esses chegaram, temendo mais que fofocas, mas possíveis emboscadas por aqueles que pudessem estar à espreita vigiando, foram proibidas pela côrte.

O discurso para retirada também passou pela vontade dos portugueses de eliminar o ar provinciano e dar um "ar mais europeu" para a cidade que agora seria a capital do Império.

Uma boa arquitetura é aquela que reúne função e estética, como letra e melodia.

"Por isso eu vou na casa dela ai ai
Falar do meu amor pra ela vai
Tá me esperando na janela ai ai
Não sei se vou me segurar"
Gilberto Gil








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