O projeto é do arquiteto?

O arquiteto é um ser criativo por natureza. Criar, pensar e executar um novo projeto é, para quase todos nós, a parte prazerosa da coisa. Porém, não se trata de uma tela em branco e uma licença poética, existe um cliente, uma demanda, uma rotina, uma vida. E, se esse trabalho pode ser chamado “artístico”, a arte seria a de trazer ao cliente a absoluta certeza que ele é o real autor do projeto.

E entra o desafio: como fazer isso? Realmente deixando com que ele seja o autor e não sobrepondo suas ideias.

Para exemplificar, temos no escritório um projeto residencial em Macaé, litoral fluminense. O cliente é uma imobiliária e a demanda do projeto foi elaborar o projeto de interior e produzir imagens humanizadas que ajudem a “vender” esse empreendimento.

Mesmo que não se conheça, no caso, o real morador/cliente dessa residência, podemos fazer levantamentos baseados na localização, valor do imóvel e aparência do edifício, mas, ao mesmo tempo, ser genérico o suficiente para parecer feito especialmente para não um, mas para o maior número possível de potenciais compradores.

O número de detalhes, proporcionalmente, pode refletir o quão direcionado e específico o projeto pode ser para alguém, por isso o projeto não opta por cores fortes e decorações que representem nichos menores. Sofás beges, móveis em madeira, uma paleta de cores suaves e pastéis, quadros que harmonizam com o ambiente praiano, considerando que o edifício se localiza em frente ao mar, e ambiente fluido, ajudando a “vender” o real fato de ser um apartamento com uma ampla sala, que liga varanda, sala e cozinha.

Em uma segunda proposta, a intenção não mira esse amplo público, mas é um ótimo exemplo que resolvemos criar para mostrar a diversidade estética que o mesmo espaço pode ter, desapegados um pouco a um conceito genérico, criamos um ambiente mais moderno e com cores marcantes, o que é algo que abraça aspectos similares de personalidade. Como decoração, imaginamos um cliente com gosto pela música, o que foi tema dos quadros escolhidos e do posicionamento protagonista dos instrumentos musicais, que também interfere no uso, oferecendo a esse ambiente um sentido de encontros informais e musicais. Se olhar bem, talvez consiga ouvir a música na sala.

Apesar de obviamente ser divertido comparar e ranquear as coisas (algo bem comum hoje nas redes sociais), falar das possibilidades aqui é justamente para marcar que não é sobre qual projeto é melhor, mas mostrar o quanto é bonito saber que cada espaço tem infinitas possibilidades de ser o melhor para alguém.













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