PRAZERES, IDENTIDADE, MEMÓRIAS E ESPAÇOS
 

Um dos meus maiores prazeres é conhecer um lugar novo. Aguçar minha sensibilidade para o olhar, me perder nas ruas, casas, fachadas, calçadas, jardins, cheios, vazios...

A arquitetura tem papel imprescindível para revelar a história daquele lugar e daquele povo. Detalhes das fachadas, simplicidade ou detalhes mais rebuscados, varandas abertas para a rua ou aquelas janelas na beira da calçada (boas para fofoca). Portões com detalhes de serralheria arredondados ou formas retilíneas, reinterpretando épocas e estilos. Telhados com telha francesa, colonial ou escondidos atrás daquelas inventivas platibandas desenhadas, coloridas e com inscrições, as vezes com o ano de construção. Azulejos, caquinhos, plantas no jardim, os cheiros. São inúmeras percepções que podemos ter, memórias que podemos acessar, sejam próprias ou coletivas.
Em tempos de condomínios com suas casas “caixotes”, não só a história do lugar fica oculta, mas o povo que vive nesse espaço também tem suas individualidades subtraídas.
Eu vejo arquitetura exatamente por essa fresta. Um lar, ao meu ver, não é uma "máquina de morar", mas sim complemento e parte, ao mesmo tempo, daqueles que ali vivem.
Ênfase em "vivem".
Porque viver O e NO espaço é sentido amplo. É desenvolver memórias e criar sensações e relações afetivas com o lugar que extrapolam a materialidade do construído. Podem te fazer lembrar do cheiro do bolo da vó ao ver os azulejos estampados ou te fazer sorrir de canto de boca ao lembrar o piso de caquinho do quintal que jogava bola com os primos.
Construir é mais que dimensionar espaços que vão caber uma cama, um sofá, uma mesa, é dimensionar um lugar onde se sente bem, onde se sente parte, onde se sente vivo.
@fuscaazul_arq



 - foto 1. Fachada colorida com aquitetura colonial e marcante inventividade e “alegria” marcantes no nordeste brasileiro. Casa em Ilha do Ferro – AL, arquivo pessoal


 

- foto 2. Janelas com treliças que permitem ver a rua sem ser visto, além de ótima solução ao calor brasileiro e um belo bouganville rosa dando mais vida a fachada. Casa em Dimantina – MG, arquivo pessoal


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