AFETO, TRADIÇÃO E AMIZADE

Encomenda feita pela antiga gestão da Associação de Moradores de Conceição de Ibitipoca, a reforma da sede acabou não sendo executada (uma nova gestão assumiu durante o trabalho e esse projeto foi descontinuado), porém foi um prazeroso processo e que gerou interessantes soluções e propostas. 
Algumas ideias eram claras desde o começo, como potencializar e ampliar o uso da sede para cursos, palestras e oficinas, assim como criar espaços para comportar novos usos, que pudessem atrair os moradores e turistas. Dentro desse objetivo, algumas características eram importantes e direcionaram o rumo do projeto. Uma era que a sede se localiza num ponto central da vila, tendo uma estrutura semienterrada com a fachada toda em pedra. Isso dá à edificação uma integração bem singular com a natureza local, uma vez que pedras, aflorando do chão e as árvores baixas e com galhos retorcidos envolvem a construção, fazendo ela parecer parte do todo natural. Outro interessante e subutilizado ponto da construção é sua cobertura que funciona como um mirante, permitindo um visual 360° da vila, além da proximidade com a Igreja Matriz (onde muitas festas tradicionais acontecem) e o colégio da vila. Vale ressaltar que, por todo um contexto histórico, Ibitipoca não tem pracinhas como de costume em outras vilas mineiras. 

O PROJETO 

Chamada de AMAI (Associação de Moradores e Apmigos de Ibitipoca), o nome já indica a vocação acolhedora da associação, por isso, o projeto surge com a intenção de agregar os novos e antigos moradores, receber bem os turistas e fortificar esses laços afetivos com o lugar. 
Por isso, para os dois pavimentos e seu terraço foram pensadas intervenções que objetivam todos se sentirem representados.
No primeiro pavimento, que tem sua fachada frontal voltada a uma das principais ruas da vila, propõe-se abrir generosas portas em suas paredes de pedras, criando um novo acesso, mais atraente e convidativo. Com sua localização privilegiada, esse primeiro andar teria uso misto,servindo como ponto de informação para os turístas (uma carência da vila), onde agências e guias pudessem ter ali um primeiro contato, com possibilidade de servir também como um museu, podendo abrigar pequenas exposições, artesanato, além de dar ao turística uma amostra do leque de opções de passeios, gastronomia e cultura que poderiam potencializar o turismo. 
Outro uso possível seria para pequenos eventos, como teatro, apresentações, shows e confraternizações, com a vantagem de ser um ambiente coberto. 
O projeto conta também com mobiliário lúdico, cubos em madeira que possam servir de diversas maneiras. Uma grande “prateleira” na parede de fundo poderia acomodar esses cubos que, com uma ou mais faces estampadas, serviriam como painel para fotos e histórias. Os cubos podem ficar todos na prateleira, liberando todo o espaço, podem alguns serem usados como banco ou balcão, assim como podem ser enfileirados para formar um pequeno palco. Além disso, uma pequena arquibancada móvel pode ser usada dentro ou até fora do espaço, se ajustando à necessidade. 
O segundo pavimento comporta as salas para cursos, oficinas e palestras, onde também foi tida a preocupação de proporcionar maleabilidade nos móveis, permitindo diferentes configurações. Bancos, cadeiras e mesas que se encaixam, reduzindo os espaço quando preciso. Divisórias móveis podem ser usadas para reduzir ou aumentar a sala, além de permitir partilhar o espaço para usos diferentes e simultâneos. 
Nesse ambiente também está locado o almoxarifado e um escritório para pequenas reuniões. 
No terraço temos, talvez, a mudança que teria maior impacto na vida cotidiana da vila. A partir da linda vista, além de um extenso gramado subsequente que segue até a Igreja Matriz (onde hoje acontecem os eventos comunitários), entende-se que esse projeto poderia ser, além de equipamento para esses eventos, um legado para a vila, ao dar um novo espaço de lazer para moradores, em especial para os pequeninos alunos do colégio ao lado. 
A nova pracinha foi planejada com desenho divertido e orgânico, criando pequenas ilhas que podem ser usadas para a feira local, com coberturas em pergolados floridos. Ao lado direito, a paginação colorida forma um lounge para contemplação do pôr do sol que acontece nessa direção, enquanto, em harmonia com a paginação, forma-se um pequeno palco (que também pode ser usado para repouso quando não em eventos) e esse, voltado para o gramado, permite que essa pracinha se estenda para o que poderia ser um novo ponto de encontro da vila. Onde vislumbra-se estacionamento para foodtrucks ou barraquinhas, que com a vista da Igreja histórica ao fundo e o horizonte cheio de manacás à frente, poderia ser um potencial novo ponto turístico e de encontro para moradores e turistas. 
A preocupação com o entendimento da vida cotidiana da vila, as trocas entre moradores e turistas, e o respeito à natureza foram elementos norteadores da proposta. 
E você, já visitou Ibitipoca? Conta pra gente o que achou!









Fotos ilustrativas de como está hoje:



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